ANOTAÇÕES SOBRE DESIGN-BASED RESEARCH, COM BASE NO ARTIGO:

The state of the art of design-based research
R. Peterson, University of Wollongong
J. Herrington, University of Wollongong

1. Aspectos  inovadores

Tradicionalmente, as pesquisas educacionais ocorrem em contextos controlados, com requisitos previamente estabelecidos. Contrapondo-se a esse ambiente controlado, Alan Collins (1992) e Ann Brown (1992) começaram a dar relevância a uma abordagem inovadora para a pesquisa educacional, o projecto experimental (experimental design), por considerarem que muitas das questões que eram importantes investigar não poderiam ser adequadamente tratadas em ambientes laboratoriais, fora do contexto real onde se processam as interacções humanas.
Em relação a outros métodos para a elaboração de teorias educacionais, a mudança  proposta pelos pesquisadores do projecto experimental assenta na necessidade de investigar as formas como as diferenças dos ambientes de aprendizagem afectam as variáveis que decorrem do processo de ensino-aprendizagem. Deste modo, criam-se teorias e princípios de planeamento sensíveis aos contextos a que estão ligados.
Após duas décadas, esta abordagem do projecto experimental definiu-se com a terminologia Design-based research (DBR), com características metodológicas assentes nestes princípios:

  • resolução de problemas complexos em contextos reais, em colaboração com os intervenientes;
  • integração de princípios conhecidos resultantes de projectos já desenvolvidos, que tenham a capacidade plausível de solucionarem problemas complexos;
  • realização de investigações rigorosas e ponderadas, para testar e  apurar ambientes de aprendizagem inovadores, bem como para definir novos princípios de planeamento educacional. (Reeves, 2000)

2. Relacionamento com as abordagens descritiva/qualitativa e/ou experimental/qualitativa

As orientações sobre a realização de investigações no projecto experimental não definem um procedimento formal para as opções de abordagem na recolha de dados.
No entanto, o artigo refere que numa DBR há vantagens em integrar vários métodos de pesquisa, dado que nestas investigações pode existir um leque muito diversificado de variáveis, que correspondem a abordagens diferentes para a recolha eficaz de dados. Este pressuposto requer que nas DBR se devem utilizar os métodos quantitativos e qualitativos em conjunto (Bell, 2004), dependendo das necessidades da investigação.

3. Dificuldades na  implementação

Tendo em conta a diversidade de elementos que existem nos ambientes reais e a enorme complexidade de relações que se geram com a interacção entre esses elementos,  pode-se tornar difícil nos projectos experimentais definir padrões ou teorias que apontem sempre para os mesmos resultados, ou seja, a eficácia de um projeto num determinado ambiente não garante que também seja eficaz se for concretizado num contexto diferente.
Esta diversidade de elementos e de interacções pode corresponder a inúmeras variáveis, que nem sempre podem ser controladas no projecto. Por sua vez, a observação durante as experiências pode corresponder a uma enorme quantidade de dados recolhidos, tornando-se demasiado extensos para serem analisados e relacionados. Deste modo, os resultados das experiências podem ser difíceis de generalizar para estudos futuros.

4. Principais implicações e conclusões

Dada a vocação para a pesquisa educacional científica com base empírica e o interesse crescente na DBR, espera-se que a reflexão contínua entre os especialistas leve a uma definição clara das suas normas de abordagem.
Os investigadores do Design-Based Researche Collective (2003), argumentam que este tipo de investigação coloca lado a lado o trabalho de psicólogos do desenvolvimento, cientistas cognitivos, cientistas de aprendizagem, antropólogos e sociólogos, com o trabalho de cientistas da computação, teóricos do currículo, planeadores educacionais e formadores de professores.
Igualmente importante para o debate sobre o mérito científico da DBR, é o argumento sobre a sua responsabilidade social. Segundo Reeves (2000), para ser socialmente responsável, as investigações em educação devem ser relevantes para os praticantes.
Para concluir, há um consenso geral de que os conceitos e as normas da DBR precisam de ser mais aprofundadas, abordando questões como:

  • Que tipo de conhecimento gerado se deve esperar da DBR?
  • Quais são os requisitos teóricos que devem estar na base da DBR?
  • Que tipos de pesquisa podem ser considerados DBR?
  • Como pode a DBR processar os dados recolhidos, que muitas vezes são em excesso, de modo a poderem ser utilizados de uma forma consistente em casos futuros?
  • Que normas devem reger a DBR para se garantir a sua qualidade?
  • Em que medida a DBR pode ser classificada como investigação científica?

Referências:
Peterson, R., & Herrington, J. (2005) The state of the art of design-based research. Acedido em http://ro.uow.edu.au/edupapers/59/

University of Georgia (2006) Design-based Research EPSS. Acedido  em http://projects.coe.uga.edu/dbr/explain01.htm#references

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