A combinação das abordagens qualitativa e quantitativa

Legendre (2005) refere a combinação destas duas abordagens como uma metodologia mista, ou seja, uma combinação de diversas metodologias num estudo de investigação, em que a complementaridade dos métodos pode assegurar a validade dos resultados. Por exemplo, a metodologia qualitativa permite a contextualização dos dados assim como a metodologia quantitativa permite uma sistematização das observações e a quantificação de dados complexos.

Outros autores, como Bogdan&Biklen (1994), referem que esta prática é comum, por exemplo, na construção de questionários para entrevistas abertas, na observação em profundidade para relacionar estatisticamente duas variáveis ou na apresentação conjunta de estatísticas descritivas com resultados qualitativos.

Todavia, como referem Carmo&Ferreira (2008), ” alguns autores pôem em evidência as dificuldades de utilizar conjuntamente numa mesma investigação os dois métodos.” Com efeito, a tentativa de orientar uma investigação com os dois métodos pode gerar problemas, pois as abordagens assentam em pressupostos diferentes (Smith e Heshusus, 1986, citados por Bogdan&Biklen, 1994).
Este ponto de vista dos pressupostos diferentes é corroborado por Pires (1987), citado por Legendre (2005): “Les méthodes et les matériaux ne sont donc pas entièrement interchangeables, bien qu’ils puissent être théoriquement complémentaires. (…) Elles peuvent parfois nous donner l’impression qu’elles disent la même chose, mais souvent, elles ne le font pas et elles ne parlant jamais de la même façon.”
Por sua vez, Carmo& Ferreira (2008), referem igualmente alguns erros metodológicos em que uma investigação pode cair, em torno das metodologias a adoptar:

“- a obsessão pelo quantitativo, que decorre da mitificação de toda a informação que integra números, considerando como não científica qualquer investigação de outra natureza (…).
– a obsessão pelo qualitativo, tendência inversa actualmente muito em voga de que tem resultado, por vezes, trabalhos especulativos com alguma falta de rigor (…).”

As opções teóricas e metodológicas para se conduzir uma investigação dependem dos objectivos que se pretendem alcançar, não se podendo definir uma fórmula única para todas as situações.
No entanto, como referem Carmo, H., & Ferreira, M. M. (2008), o início de uma investigação deve ter em conta uma reflexão prévia do que já foi feito, que nos podem dar indicações muito úteis nas opções a tomar, indagando “que pesquisa tem sido feita no domínio em questão e com que métodos foi desenvolvida”. No seguimento, deve-se proceder a uma “análise crítica dos métodos adoptados em investigações anteriores” de modo a termos uma “ideia sobre a fiabilidade dos seus resultados”.

Referências:
– Bogdan, R., & Biklen, S. (1994) Investigação qualitativa em educação. Uma introdução à teoria e aos métodos. Porto: Porto Editora
– Carmo, H., & Ferreira, M. M. (2008) Metodologia da investigação. Guia para auto-aprendizagem. Lisboa: Universidade Aberta
– Legendre, R. (2005) Dictionnaire actuel de l’education. Montréal: Guérin

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